SAÚDE
FISIOLOGIA FELINA

              Se deseja manter seu gato feliz e saudável, é importante conhecer um pouco de sua fisiologia, e as principais doenças que os acometem. Falaremos de sua estrutura natural, apesar de que os gatos domésticos e acostumados ao convívio humano perdem muito desses instintos.
              O gato é, essencialmente, um carnívoro e um predador, e seu corpo está perfeitamente preparado para surpreender, capturar,  consumir e digerir os alimentos dos quais vive. Não foi criado para atividades prolongadas, pois se cansará rapidamente. Mas é tremendamente forte para seu tamanho.  Quando você precisar forcá-lo a algo, como tomar um medicamento ou qualquer coisa que o desagrade, você se surpreenderá com sua força.
               Sua espinha dorsal, bem semelhante à nossa, permite-lhe arcar seu dorso de maneira surpreendentemente flexível, permitindo que ele vire sua cabeça em quase 180º ; os incríveis movimentos de suas patas não requerem grande esforço, e  ele  pode movê-las em quase todas as direções, o que torna o corpo todo muito  flexível, operado por potentes músculos que são poderosamente reforçados nos membros posteriores: são  os fatores que lhes permitem incríveis saltos. Apesar de tudo,  o pequeno coração e pulmões são bastante frágeis,  alojados na pequena cavidade toráxica; porisso,  não podem suportar atividades intensas por longos períodos de tempo. Seu batimento cardíaco pode variar de 110 a 240 batidas por minuto, e nos gatinhos, pode chegar a 300. Em contrapartida, seu sistema digestivo  ocupa bastante espaço do seu corpo.
               A parte do seu cérebro que controla a mobilidade é extremamente bem desenvolvida às reações instantâneas em todas as áreas de movimento muscular, equilíbrio e controle direcional. O sistema sensorial que alimenta as informações do cérebro são eficientes e muito bem desenvolvidos: todas as  sensações do gato tem grande alcance e sensibilidade.
               A visão  é extremamente sensível. Com os olhos colocados bem à frente, e grandes em relação ao tamanho de sua cabeça, ele tem uma visão estereoscópica, ou seja, ele centraliza a imagem com os dois olhos (diferente dos animais como o cavalo, por exemplo, que registra duas imagens bastante diferentes). Esse fato faz com que eles tenham notáveis julgamentos de distância, e é extremamente raro enganarem-se num salto. Cada olho tem um ângulo de visão de aproximadamente 205º, que são complementados com a grande flexibilidade  do pescoço, que resulta num campo de visão extremamente amplo e preciso, com o mínimo de movimento da cabeça.
                Os olhos de um gato não tem tanta sensibilidade para as cores, como os nossos; porém, eles as enxergam, apesar de que bem mais simplificada que os olhos humanos. Os gatos parecem ser menos capacitados para enxergar nitidamente objetos estacionários, ou que estejam muito próximos aos seus olhos: eles confiam mais em seu olfato para localizar o alimento que se encontra literalmente embaixo de seu nariz.
                Eles enxergam muito melhor no escuro; mas com a luz intensa, sua íris retrai como a nossa, medindo a quantidade de luz que necessitam para enxergar bem. Porém, no escuro, eles estão em tremenda vantagem: a íris se abre completamente, permitindo a entrada do máximo de luz possível, e um sistema interno na parte superior do olho, recoberto por células achatadas que funcionam como um espelho, refletem a luz que não foi absorvida ao passar pelo olho para as células da retina.  Por esse motivo os olhos do gato brilham no escuro: essas células refletoras podem ser percebidas, então. Enfim,  eles podem enxergar no que seria, para nós, a completa escuridão.
                 O gato possui uma terceira pálpebra, chamada também  de membrana nictitante. Ela aparece em algumas circunstâncias, no canto interno do olho. Ligeiramente transparente, ela permite alguma visão, quando estendida sobre ele. Sua função é protegê-lo da luz muito intensa, ou numa luta, e ainda ajuda a manter os olhos do gato limpos. Ela também aparece quando o gato está doente, embo ra perceptível quando o gato está sadio, também.
                  O tato dos gatos são muitíssimo desenvolvidos: sua pele é recoberta por terminações nervosas altamente sensíveis. Uma grande parte do seu cérebro destina-se à percepção do tato. Seus longos bigodes e sombrancelhas também desempenham importante papel nas sensações táteis, onde ele pode sentir claramente  até mesmo a mínima diferença da pressão do ar, quando se aproxima de algum objeto. Observamos gatos com o bigode cortado que perde grande parte de seu equilíbrio, chegando ao ponto de chocar-se com os objetos. Suas patas dianteiras possuem um grupo de pêlos no dorso com a função de transmitir ao cérebro as sensações de pressão. Seu nariz também é altamente sensível ao tato.
                  Os felinos  podem detectar sons numa variação extremamente ampla, de 30 a 45.000 ciclos por segundo. Para se ter uma idéia, o homem escuta muito bem de 2.000 a 4.000 ciclos; eles  podem ouvir perfeitamente até os 8.000. O limite de audição do homem é de 40.000, mas o do gato continua até os 60.000. Aliado a isso, suas  orelhas são moldadas  num formato que capta e concentra os sons, além de altamente manobráveis: ele as direciona para onde deseja, ou para o local de onde percebe qualquer barulho. Diferente de nós, ele não capta todos os ruídos juntos:  distingue e diferencia todos os sons, isoladamente, a uma distância muito maior do que podemos perceber,  até mesmo quando  está dormindo.
                   Seu  equilíbrio  também está ligado à sua audição. Um gato não sofre enjôos, numa viagem, por exemplo. Isso se deve ao seu fantástico senso de equilíbrio,  pois, numa queda, ele consegue corrigir sua postura de modo a cair em pé. Essa habilidade não se deve somente à audição, mas vem associada a uma série de outros sentidos, pois observamos também os gatos albinos (normalmente, surdos de nascença) procederem da mesma forma. Mas   podem estar em grande perigo se sofrerem uma queda sem estarem preparados para ela,  como quando  estão dormindo no alto de algum móvel, por exemplo: como está solonento e todos os seus sentidos não estão absolutamente ativos, não haveria tempo para virar-se e  cair em pé.
                   Vale ressaltar que os gatos nunca “se jogam” deliberadamente  de grandes alturas mas, distraídos por uma folha ou um pássaro, perdem instantaneamente a noção do perigo e o acidente acontece. Mesmo nesses casos, a lesão ocorre pelo fato de que a força da gravidade multiplica seu peso corporal, e suas pernas podem não suportar o impacto. É mais frequente que um gatinho se machuque se cair de uma pequena altura: não haveria tempo suficiente para  ele preparar-se para a queda.
                   O gato possui uma quantidade considerável de manifestações vocais, mas  poucas são percebidas por nós. Muitas pessoas com deficiência visual (elas possuem uma sensibilidade auditiva muito mais desenvolvida  que a nossa) já afirmaram que podiam distinguir mais de 100 tipos de vocalizações  diferentes, enquanto nós  podemos perceber  pouco mais de duas  dezenas. Apesar disso, podemos facilmente “conversar” com nosso gato,  e identificar  claramente os pedidos e exigências,  os cumprimentos e expressões de satisfação, bem como  as de desagrado.
                   Associada aos sons emitidos, temos as manifestações físicas, que também transmitem informações importantes a respeito do estado emocional de um gato. Por exemplo,  a posição das orelhas,  que se colocam para trás e para baixo, quando o gato está zangado e eretas e para frente,  quando ele está feliz e interessado. Um ligeiro abanar da cauda levantada significa que o gato está contente; se ela estiver posicionada para baixo, ou  agita-se somente nas pontas, o gato está irritado.
                   O ronronar de um gato não deixa dúvidas: ele está satisfeito, e é a maior demonstração vocal de satisfação. Porém, se o gato ronrona mais profundamente, ou sibilando, ele pode estar sentindo dor. Isso poderá ser identificado facilmente, pelas outras manifestações de comportamento. A origem do ronronar dos felinos ainda não está cientificamente comprovada, mas alguns estudos concluem  que esse som é produzido pelas cordas vocais e pelos músculos da laringe e do diafragma, que se contraem ritmicamente provocando  esse som.
                   O paladar dos gatos não ocupa um aspecto significativo, embora eles tenham preferências alimentares. Normalmente, eles não apreciam o sabor doce, e os alimentos processados  mais palatáveis para  os gatos tem um sabor ligeiramente amargo.
                   Em contrapartida, eles tem o olfato altamente desenvolvido: é o principal meio de identificação de qualquer coisa em qualquer distância, seja curta ou longa. É o primeiro sentido a ser desenvolvido, pois é através dele que o filhote encontra a mãe para mamar, logo nas primeiras horas de vida.
                   Esse sentido parece oferecer muita satisfação aos gatos. Eles identificam tudo através dele: pessoas, outros animais, alimentos, objetos, locais, etc. Quando o levamos para um outro local, ele faz imediatamente o ‘reconhecimento’ completo de cada canto, por mais escondido que seja. Da mesma forma, um gato cheira completamente seu dono, quando este retorna para casa: assim, ele pode saber aonde e com quem você esteve.
                  O odor também exerce um papel vital tanto na marcação do território, como na  sua vida sexual: é através dele que  descobrem uma fêmea no cio, mesmo a longa distância, ou que intrusos sabem que existe um macho  que domina naquele local; um gato que se esfrega nos móveis ou em seu dono pode estar deixando claro que aquilo ‘pertence a ele’; um macho pode marcar seu território com urina, em cantos que  considere estratégicos para evitar a invasão de algum intruso. Porisso a maioria dos proprietários optam por castrar seu gato de estimação: além de evitar odores inconvenientes na casa através desse procedimento, bastante simples para ele, também evita eventuais passeios externos (isso ocorre raramente entre os persas) e brigas entre dois machos que possam viver juntos. Além disso, não podemos esquecer que existem muitos filhotes abandonados e largados à própria sorte, nas ruas; essa medida significa um meio de controle de natalidade, também. 
                 
Aliás, esse é um dos instintos mais marcantes nos gatos: o territorialismo. Mas a convivência com o homem tornou-o mais sociável com outros os animais de sua espécie, uma vez que confia no homem e sabe que não faltará alimento para ele e para o(s) outro(s). Ainda assim, eles preservam seu espaço pessoal: se dois gatos convivem juntos, um respeitará o espaço preferido do outro, como o local de dormir, por exemplo.
                  Apesar de não terem mais necessidade de saírem para caçar, eles conservam seus instintos naturais, embora muito mais atenuados pela vida doméstica. Ao mesmo tempo, são extremamente brincalhões: pelos dois motivos,  observamos um gato distraindo-se com uma planta ou um inseto: sempre em posição de alerta, abaixado e  imóvel, ele aguarda até um movimento de sua ‘presa’, por mais ligeiro que seja; então, ele arremete como um relâmpago com suas patas  ou dentes sobre a criatura ou o brinquedo tão cobiçado. As brincadeiras infantis que observamos entre filhotes os ensinam a desenvolver esse reflexos, e também os instintos de caça. Mas fique tranquilo: não passam de brincadeiras e treino, e raramente os gatinhos se machucarão procedendo dessa forma.
                 Brigas são pouco frequentes em gatos adultos, a não ser  em caso de defesa de seu território. Mas eles dão muitos avisos ao inimigo, numa disputa psicológica de força e poder. Esses sinais são sibilação, rosnados, e eles permanecem imóveis, com os olhos  dilatados  e o dorso arqueado;  a pelagem fica toda eriçada e a cauda estufada, o que faz com que o gato aparente ser muito maior. Boca aberta com os dentes à  mostra e  as orelhas abaixadas para trás são símbolos de ataque. Caso seu oponente seja um cão, ou um inimigo para o qual ele levaria desvantagem,  ele pode promover um falso ataque para baratinar o inimigo e ter tempo suficiente para fugir, caso ele perceba que não terá chances de vitória.
                  Se  o confronto não puder ser evitado, ele atacará procurando morder o pescoço de seu oponente, enquanto o golpeia  com as garras da frente e com as traseiras. Quem está perdendo a luta posiciona-se de costas, de modo que possa revidar  com todas as patas, pois as traseiras são bem mais fortes.
                   Se o desentendimento for com uma pessoa, o comportamento será semelhante. Ele o avisará que os procedimentos não o estão agradando; caso a advertência  não surta o  efeito desejado, ele poderá mordê-lo levemente e, se você não tiver uma certa autoridade sobre ele, ele poderá mordê-lo ou arranhá-lo, procurando ocasião para fugir. Se a situação for de perigo real, como alguém procurando machucá-lo, ele tratará de desaparecer  ou colocar-se em local inatingível e seguro.
                   Mas isso são situações excepcionais. Normalmente, um gato toma o cuidado de não machucar as  pessoas, e evita tanto quanto possível confrontos com outros animais. Seus donos também devem preocupar-se para que isso não ocorra, pois animais que vivem nas ruas são bem mais resistentes do que os habituados à higiene e cuidados diários e, portanto, um confronto poderia implicar não só em ferimentos para seu companheiro, mas também em contaminação de doenças que poderiam ser fatais para eles.

Texto: Elaine Jordão
Gatil Blaze Star