O PARTO DA GATA


            Sua gata acasalou, e você está na expectativa para saber se ela realmente está prenha.  Agora, são 65 dias de espera até o nascimento de seus filhotes.
   
          Os sinais de gestação são característicos: sonolência um pouco acima do habitual, ligeiro aumento de  apetite, e ela passa a  comporta-se de maneira mais tranquila. Após o 20º, 30º dia, você pode observar que suas maminhas estão um pouco mais salientes e  avermelhadas, e ela começa a engordar. Você poderá ter certeza a partir do 30º dia, através de um exame de ultrassom. 

   
         Ao constatar a gravidez de uma gata, devemos nos preocupar em alimentá-la da melhor maneira possível,  oferecendo-lhe uma ração completa e balanceada, um bom Complexo de Vitaminas (consulte seu veterinário), e muito carinho. Não lhe dê cálcio; isso provoca  o crescimento exagerado dos filhotes no útero da mãe, dificultando o parto, atrasando o nascimento dos filhote (e consequentemente, provocando a morte destes), ou podendo ainda provocar uma cesária. 
   
         Normalmente, a gata dá a luz sozinha; mas, é comum que ela não saiba o que fazer, especialmente, se for uma gata de raça, se for sua primeira gestação, ou se ela está em trabalho já há algum tempo e estiver muito cansada. Conheça o processo para ajudá-la, se for necessário

   
         Providencie, com antecedência, uma caixa de tamanho suficiente para que ela se instale confortavelmente com os filhotes. Não escolha uma caixa muito pequena, pois ela poderá deitar-se em cima dos filhotes sufocando-os; e nem muito grande, pois os filhotes poderão “perder-se” da mãe.  Forre essa caixa com jornal limpo e um lençol,  ou uma toalha. Corte suas unhas 2 ou 3 dias antes da data prevista para o parto, principalmente se você optou em forrar a caixa com uma toalha: durante o parto,  ela se movimenta  bastante,  e poderá enroscar as unhas na toalha  e ficar ainda mais inquieta. 
   
        Você perceberá que a gata está entrando em trabalho de parto quando já tiver se passado mais de 60 dias da data do acasalamento, e ela, repentinamente, mostrar-se agitada. É normal a gata chamar seu dono, avisando que está chegando a hora; ela se sente mais segura se ficarmos  com ela durante o parto. 
           
Note se sua traseira começa a ficar úmida: existe um tampão mucoso de proteção do útero que se solta para a passagem dos bebês, indicando o início do trabalho de parto. Coloque a gata dentro da  caixa.
            O rompimento da bolsa é o próximo sinal, e deve acontecer em algumas horas. Prepare algumas toalhas bem limpas e secas (de preferência, passe-as no  ferro de passar roupas bem quente, para ester
ilizá-las), uma tesoura, pedaços de fio (podem ser de costura ou fio dental), iodo ou Merthiolate, álcool e gaze. 

           
Logo em seguida, começam  as contrações: é chegada a hora do nascimento dos bebês. Apenas observe. Não a deixe sair da caixa. Algumas gatas procuram lugares escondidos para terem seus filhotes, como dentro de sua gaveta ou debaixo de sua cama, e ficará difícil ajudá-la, se necessário. 

   
         Nasce o primeiro gatinho, normalmente de ‘traseira’: ele ficará pendurado na gata, pois a placenta, ligada ao filhote através do cordão umbilical, ainda não saiu. Ele pode ou não  nascer envolto numa bolsa, que é aonde ele se desenvolve dentro do útero da mãe. Ela deve começar a lambê-lo imediatamente, a fim de rasgar essa bolsa, retirar o líquido de seu nariz e boca,  e  estimular sua respiração. Se ela não o fizer, você o fará:  tranquilize a gata, procurando fazê-la ficar deitada. Com a ponta da toalha menor, esfregue delicadamente a carinha e as costas dele, rompendo a bolsa, se ele ainda estiver envolto nela. Seque com cuidado a boca e o nariz do gatinho, e observe se ele respira. A placenta deve sair poucos minutos depois, e então, se a mãe não cortar o cordão, você
poderá fazê-lo. 
             
Ela deverá lambê-lo por inteiro, para secá-lo e mantê-lo aquecido. Esse processo também estimula o funcionamento dos órgãos vitais. Então, ela comerá a placenta, até chegar ao umbigo, quando cortará o cordão que une o gatinho a ela.  Se a gata não proceder assim,  tome o lugar dela: pegue o gatinho, cordão e placenta com a toalha, e esfregue-o alguns minutos com delicadeza, sempre das costas para a cabeça, afim de estimular a saída de líquidos que eventualmente tenha ficado nos pulmões e/ou vias respiratórias. Quando ele estiver respirando bem, coloque-o na toalha, passe o fio em volta do cordão umbilical,  meça 1 dedo de distância do corpinho do filhote e amarre forte, para cortar o fluxo de sangue dele para a mãe. Se não conseguir, ou se o cordão umbilical arrebentar no parto, pressione com a unha  do polegar e o indicador  o cordão umbilical por alguns minutos, e então amarre. Corte o cordão pelo lado da placenta, deixando o fio amarrado para o lado do gatinho. Corte o excesso de fio, e coloque uma gotinha de iodo ou merthiolate.  Esse processo evita que os filhotes  sejam contaminados e  morram alguns dias após o parto, por infecção generalizada contraída através do umbigo (septicemia).
   
          Com o gatinho na toalha, mostre-o à mãe. Se ela lambê-lo, coloque-o junto dela, para que ela o seque. Se não (as vezes, os filhotes nascem em intervalos muito curtos, e ela não tem tempo para cuidar deles), seque-o com a toalha delicadamente, deixando-o entre as mãos para mantê-lo aquecido, e  coloque-o no meio de uma toalha limpa, dobrada, para mantê-lo aquecido. Uma bolsa de água quente, ou duas garrafas plásticas cheias de água morna ajudam muito em dias frios. Proceda da mesma forma com os outros. Depois de todos nascidos, coloque-os com a mãe para mamar, e deixe-a descansar. Dar uma aparada na pelagem do abdômen também ajuda os filhotes a encontrarem as tetinhas; mas não tose a barriga dela, pois eles necessitam de pelagem para se segurarem enquanto mamam. 
           
Agora sim,  dê-lhe bastante cálcio, pois o parto provoca uma queda na taxa de cálcio em seu organismo. Coloque-os em um local tranquilo, longe de correntes de ar, e longe dos outros animais da casa, se houver; cubra uma parte da caixa e mantenha-os protegidos durante,  pelo menos, 20 dias.  
   
         
Se houver qualquer tipo de problema, como por exemplo, a mãe não tiver contração após o rompimento da bolsa, os filhotes demorarem demais para nascer ou  tiver gatinhos entalados; ou ainda, se não saírem todas as placentas (cada filhote tem a sua)  pegue mãe e filhotes e procure um  veterinário de sua confiança.

Texto: Elaine Jordão
Gatil Blaze Star